A Língua Portuguesa no Mundo.
Por: António Loulé

Exmo. Senhor Prof. Francisco dos Santos Amaral Neto
Presidente desta prestigiosa Academia de Letras a quem tantos e valiosos serviços se devem na defesa e no culto da língua portuguesa, apraz-me dizer-lhe da minha enorme satisfação por ocupar esta Tribuna na ocasião em que celebramos a passagem do dia internacional do Elos Clube da Comunidade Lusíada. Muito especialmente por me ser permitido expor assuntos relativos à Língua Pátria, o idioma de todos nós.


Em plena Idade Média, na segunda metade do século XIV, o rei português D. Dinis oficializou a língua portuguesa, que passou no seu reinado a ser o idioma dos diplomas régios.

Quase simultaneamente, e sem se aperceber sequer do alcance do que estava fazendo, por manifesta impossibilidade de poder profetizar um futuro tão rico e complexo, tomava três medidas de primordial importância para concretizar a expansão do idioma, restrito então a uma pequena faixa litoral da Península Ibérica.

Em primeiro lugar, mandou plantar a extensa e densa floresta de pinheiros que ainda hoje existe e se chama o Pinhal de Leiria. A sua madeira serviria para construir as frotas que mais tarde navegariam dando
“novos mundos ao mundo”, como escreveu Camões. Por isso Fernando Pessoa o chamaria de “plantador de naus a haver”. E a citação dos dois Poetas maiores da língua portuguesa não se faz sem suscitar nova coincidência, já que foi o rei D. Dinis um dos primeiros e maiores poetas do novo idioma, com suas “canções de amor” e “canções de amigo”.

Em segundo lugar, conseguiu D. Dinis que o Papa excetuasse Portugal da obrigação de banir os “Cavaleiros do Templo”, que assim escaparam, em terras lusas, ao extermínio imposto por Felipe o Belo em França. Foram os Templários em Portugal, agrupados em nova Ordem de Cavalaria, a Ordem de Cristo, com sede em Tomar. Possuidores de enormes riquezas e largas relações com o Oriente, foram eles os principais financiadores da empresa dos Descobrimentos, por ser seu criador e impulsionador o Infante D. Henrique, filho de D.João I e de uma princesa inglesa da família Lancaster, e – não por coincidência – Mestre da Ordem de Cristo, a Ordem Templária dos portugueses. Fundador da Escola de Sagres, o Infante cuidou de chamar mestres judeus e mouros e das grandes cidades mercantes italianas para ensinarem pescadores e marinheiros de cabotagem portugueses a marear com mais avançada técnica que a do simples artesanato costeiro.

Essas medidas, juntamente com a criação, ainda por D.Diniz, dos Estudos Gerais em Lisboa, transferidos para Coimbra onde se constituiu uma das mais antigas e prestigiosas universidades do seu e do nosso tempo, lançaria os alicerces de um edifício cultural sólido para servir de berço e ginásio ao novo idioma, a Língua Portuguesa.

Assim, um inspirado rei criaria o germe de tudo o que é hoje o Mundo Lusíada: a Língua, os meios materiais que permitiam as navegações, a solidificação da Fé, permitindo desta forma que aqui, hoje, esteja reunida gente oriunda de muitos países e de diversos continentes, falando a mesma língua.

Para delimitar o espaço em que se fala a Língua Portuguesa é necessário percorrer os cinco continentes na companhia das populações mais variadas, por vezes imensas, por vezes diminutas. Nos países de expressão portuguesa somos mais de duzentos e vinte milhões de pessoas. Mas devemos também considerar a importância da imigração, fenômeno novo para o Brasil que ao longo dos séculos foi um país de imigração. Neste momento, imigrantes brasileiros juntamente com portugueses, cabo-verdianos, angolanos e moçabicanos já constituem fortíssimas comunidades de falantes do português espalhados nos mais diversos países e continentes.

Vejam só a segunda língua mais falada em Paris é a língua portuguesa. Só de brasileiros estima-se que existam mais de dois milhões vivendo em paises da Comunidade Européia

Na Republica da África do Sul o número de falantes de língua portuguesa é superior a I milhão, dos quais 6oo,ooo mil portugueses. Na África do Sul depois do inglês e do africano o português é a 1ª língua estrangeira.

Na Namíbia país que tem fronteira com Angola, um em cada cinco habitantes fala português.

No Senegal há uma fortíssima comunidade com influencia portuguesa, designadamente no sul onde existem cerca nove mil alunos que estudam em escolas secundárias a língua portuguesa e mais de 6oo freqüentam a licenciatura na Universidade Cheika Anta Diop em Dacar. Ainda na Zâmbia e no Zimbábue por influência de Angola e Moçambique existe uma apreciável comunidade que fala português.

Na Ásia apesar de Macau ter regressado à soberania chinesa, toda a documentação legislativa e judicial é publicada simultaneamente nas duas línguas . Na China existem cinco universidades com preponderância para as de Pequim e Xangai em que há departamentos de português com muito mais procura de alunos do que as inscrições disponíveis. Por razões de natureza política e de natureza económica. A China está numa fase de expansão imensa, com interesses nos países de expressão portuguesa. Portanto todas as pessoas que acabam a licenciatura em português têm imediatamente saídas profissionais tanto no domínio diplomático como no econômico. Em Macau essa procura é claríssima.

Gostaria também de referir a importância do Japão. Historicamente houve introdução, por mercadores portugueses e jesuítas, de uma serie de vocábulos de origem portuguesa na língua japonesa e recentemente com o regresso de dezenas de milhares de brasileiros de origem nipônica, que se estabeleceram no Japão e que promoveram um largo movimento de difusão da língua portuguesa. O português é ensinado em 29 Universidades japonesas. Em quatro dela existem cursos de mestrado em português e em uma, doutoramento. Uma rede de rádios, jornais e televisões em língua portuguesa funciona em todo o Japão.

A América do Norte apresenta também um aspecto particular que convém não deixar de ter presente devido ao peso significativo das comunidades portuguesas existentes nos Estados Unidos da América, quer na costa leste quer na costa oeste, que confere também à língua portuguesa uma projeção e um potencial particulares.Este fato ocorre igualmente no Canadá, país em que, à semelhança daquelas que se encontram radicadas nos Estados Unido da América, as comunidades portuguesas são o exemplo de um sucesso de integração local.

No passado recente, observaram-se novos contornos nos fluxos migratórios, entra-continentais: são agora cidadãos brasileiros que rumam para Nova Iorque, Boston e outras grandes metrópoles norte-americanas A comunidade lusófona—constituída essencialmente por brasileiros, cabo-verdianos e portugueses—conta atualmente com mais de 3 milhões de falantes nos Estados Unidos como no Canadá.

Este fator reflete-se se no aumento do ensino da língua portuguesa quer nos colégios quer na criação de importantes departamentos de língua e cultura lusófonas em prestigiadas universidades norte-americanas.

Outro fato de extrema importância é a integração regional na América do Sul que conduziu à criação do Mercosul e contribui de forma ativa para um movimento recíproco de ensino do português e do espanhol nos países membros.

De imigrantes portugueses espalhados pelo planeta, segundo estatísticas publicadas em Lisboa há poucos anos atrás, nas Américas já atingimos três milhões, na Oceania perto de 60 mil, na África mais de 600 mil, na Ásia 30 mil e nos países da Comunidade Européia cerca de um milhão e meio, além dos imigrantes angolanos e moçambicanos, assim como a Diáspora Caboverdiana, que é mais numerosa do que a própria população do Arquipélago. Temos ainda de acrescentar os nossos irmãos de Timor, apesar destes terem sofrido um genocídio físico e cultural. Quando a Indonésia invadiu Timor, as escolas que ensinavam a Língua Portuguesa foram fechadas e, qualquer timorense que fosse apanhado a falar português era sumariamente preso. O governo da Indonésia entendeu muito bem que a maior arma da população timorense era a Língua Portuguesa. Também quando em tempos da luta armada pela independência da Guiné Bissau, Almicar Cabral foi bem claro quando afirmou que o melhor patrimônio recebido da Nação Portuguesa era a forma do seu povo se expressar.

Esses dados constituem apenas elementos para nos permitir imaginar o que será num futuro muito breve o tamanho e a importância da língua portuguesa.

Que lugar ocupa ela, a nossa língua, na classificação numérica das línguas faladas em todo o mundo? Segundo os mais recentes dados, da pagina da internete da Academia Brasileira de Letras, ela é a quinta em todo o mundo e a terceira do Ocidente. Outros organismos falam em sexto lugar.

A circunstância de se verificar que atualmente o português constitui a quinta língua mundial e a quarta mais utilizada na internete impõe-nos particulares responsabilidades. Não podemos, portanto dormir à sombra desta invejável posição lingüística no cenário internacional.

Língua de uso, língua de suporte de documentação histórica, língua diplomática, referente identitário de muitos povos, o português é também língua mãe de outras línguas. Com efeito, e à semelhança do latim a partir do qual se desenvolveram as línguas novilatinas ou românicas, também do português se desenvolveram muitos crioulos, na África, na Ásia e na América. Os crioulos são línguas naturais, de formação rápida, criadas pela necessidade de expressão e comunicação plena entre indivíduos inseridos em comunidades multilíngües relativamente estáveis. Uma comovente evocação é a do Papiá, língua ainda falada em certas famílias de Singapura, as quais rezam em papiá e eventualmente o falam. Papiá, aliás, tem origem nas palavras “papo” e “papear”, tão populares entre brasileiros.


O português é a expressão de um patrimônio lingüístico, literário, histórico, religioso, diplomático, folclórico, cultural e cientifico notável, o português legou igualmente empréstimo e ou deixou profundas marcas lingüísticas de natureza vária nas línguas de muitas famílias em latitudes diversas. É imprescindível à memória histórica de muitos povos. Deu pela primeira vez na historia a volta à Terra inteira nas suas dimensões atuais: língua de dominação e até língua glotocida, tornou-se, por outro lado, precioso instrumento na luta de libertação e desempenha um importantíssimo papel na unidade nacional em vários países.

É por tudo isso que devemos estar presentes em todos os segmentos da atualidade em que a defesa da língua se tornar imprescindível. Deve fazer parte das nossas preocupações, por exemplo, a falta de coordenação dos nossos países no que se refere à linguagem científica e, por outro lado, a abdicação pura e simples da língua portuguesa perante o inglês na área da informática.
Sendo a língua inglesa apenas uma das manifestações possíveis da expressão lingüística dos povos,é de se questionar se outras populações, outras culturas e outras línguas, deverão assistir complacentes ao domínio e à hegemonia de uma forma cultural e lingüística de raiz anglo-saxônica. Não devemos esquecer a dimensão demográfica das línguas latinas no mundo, as quais detêm atualmente mais de 700 milhões de falantes, alcançando o nosso idioma cerca de 30% desse universo.

Em face dos desafios que a situação atual suscita, torna-se imperioso definir uma estratégia, baseada no papel insubstituível da cultura como pilar das estratégias de desenvolvimento econômico e social, da defesa dos direitos humanos e da consolidação dos valores e dos regimes democráticos. Entre essas preocupações, avultam naturalmente as questões lingüísticas.

Torna-se, portanto, indispensável desenvolver um esforço concentrado no domínio da terminologia técnica e científica destinado a proceder à normalização e regulamentação do processo de introdução na língua portuguesa de vocábulos de origem estrangeira. Quando existirem os seus correspondentes em português, torna-se desnecessário utilizar os termos estrangeiros. Quando se verificar a inexistência de conceitos e vocábulos adequados, naturalmente a terminologia científica e técnica terão de ser muito atuante e rigorosa.

Pergunto: como é possível que um idioma que hoje é o quinto do mundo e o terceiro do Ocidente e que, há poucos séculos ainda, era a expressão dos conhecimentos científicos mais adiantados de sua época, um idioma que os embaixadores eram obrigados a conhecer para poder discutir interesses entre os quais se incluía a Paz e a Guerra, esteja hoje “submetido” ao ditado de uma língua que não é a nossa? Afinal, quem somos nós? Temos de reagir, senão arriscamo-nos a que os nossos professores e os nossos estudantes, como, aliás, já vem acontecendo, tenham que dominar o inglês para poderem estudar e se comunicar. Pode bem acontecer que os estudantes de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe precisem aprender inglês para poderem estudar nas suas pátrias.

É o que acontece aqui no Brasil e mesmo em Portugal quando se trata de disciplinas científicas.
O Brasil, sendo como é, neste momento, o supremo detentor da Língua Portuguesa em termos numéricos, tenta atualmente um esforço para pôr um obstáculo à degradação do idioma que foi de Machado de Assis e de Camões. Um projeto do Deputado paulista Aldo Rebelo foi aprovado na Câmara dos Deputados e encontra-se em pauta no Senado. O vereador Rubens Andrade do Município do Rio de Janeiro apresentou projeto de lei semelhante e que já foi aprovado pela Câmara Municipal que obriga os promotores de eventos culturais e esportivos a colocar a tradução em português ao lado das expressões estrangeiras nos cartazes e informativos promocionais, esta lei visa preservar a língua pátria escrita. No Brasil, mais dois fatos marcaram com certo otimismo este nosso tempo, no que respeita ao idioma luso: Um, é a criação, por decreto de Lei do Presidente Lula, do Dia Nacional da Língua Portuguesa a comemorar nos dia 5 de novembro aniversário do grande escritor Machado de Assis, criador da Academia Brasileira de Letras.
O outro fato auspicioso foi à inauguração em São Paulo do Museu da Língua Portuguesa, monumento de Arte Moderna que será através dos tempos para todos os que, em todo o mundo, usam e praticam a nossa língua uma espécie de norte magnético que atrairá todas as bússolas cultas do idioma.

É evidente que ninguém é contra as pessoas falarem um ou mais idiomas além do seu próprio, ao contrário isso só engrandece o intelecto, amplia as oportunidades do conhecimento e da comunicação. O que não é possível aceitar é que se passe somente a usar expressões estrangeiras para substituir as nossas mesmas, muitas delas mais adequadas, mais sonoras e de conteúdo maior que as estrangeiras. Ainda há pouco a Academia Brasileira de Letras substitui o francês pernóstico do “Repondez s’il vous plait”, o RSVP dos convites por RPF, de Responda Por Favor. Nada mais certo..E para nossa alegria este ano, no maior espetáculo da Terra, a velha escola da Mangueira, desfilará com o tema “ A Língua Portuguesa “. Sendo o Carnaval do Rio um espetáculo transmitido por televisão de todo o Mundo a presença e o apelo do nosso idioma será mais uma vez universalmente reconhecido. O mais interessante de tudo isso é que boa parte das pessoas se amesquinham ao esquecer seu idioma e o fazem por falsa erudição, pensando que com isso demonstram cultura, quando na verdade significa apenas servilismo.Que muitas vezes, serve para encobrir falta de argumentos sólidos para justificar suas teses e posições. Isso é muito comum em políticos e, especialmente em economistas, que preferem esconder-se sob expressões técnicas em outras línguas ao invés de se expressarem abertamente para entendimento de todos.

Estes pontos de vista podem parecer extremados a alguns. São, contudo, a mais simples expressão da verdade. Para entender o que as pessoas dizem, e para isso é que serve uma língua – ainda mais a portuguesa tão rica e tão pródiga, precisamos lutar para que todos usemos uma linguagem que todos entendam – para nós, o português. Basta de Sales, ao invés de liquidação, queremos churrascaria ao invés de steak-house ou grill. O que anda por aí escrito é apenas a fase mais visível da deterioração da língua portuguesa.
E a língua tem uma importância política sem pararelo.
A unidade do Brasil se expressa também na unidade do idioma. Esta unidade idiomática é um fenômeno sociológico e tem que ser preservado para que possamos conhecer a vocação unionista das nossas culturas tradicionais.

Na verdade o problema do idioma português no Brasil não é um problema técnico nem um problema cientifico, mas poderá vir a ser um problema político para a preservação da unidade porque, se um dia, por desgraça das desgraças, um paraense não entender mais um riograndense, não haverá mais o Brasil, haverá sim etnias espalhadas por este imenso país continente.
É por isso que esperamos estar a beira de achar uma solução que impeça a desvirtuação do idioma. E se para alguém, esta questão parece de somenos importância, é porque vivemos, portugueses e brasileiros, em países em que o idioma se radicou há muitos séculos. O mesmo não acontece, porém, nos novos países de expressão portuguesa, onde falar, entender e escrever Português é considerado – oficialmente, fique registrado – condição essencial de sobrevivência perante fortes vizinhos anglófonos e francófonos.

O mundo não se resume ao nosso mundinho privativo, com seus interesses comodistas. A verdade é esta, e precisa ser proclamada: os países de língua oficial portuguesa precisam de nós.

Homenageado em Lisboa há poucos anos atrás por uma associação de empresários em que teve a presença do Presidente da República de Portugal, o saudoso empresário e jornalista brasileiro Roberto Marinho Presidente das Organizações Globo definiu bem e em poucas palavras a importância que a Língua Portuguesa teve e tem para o Brasil. Peço licença para o citar: “O Brasil só existe e se mantém uno em suas diversidade por obra da Língua Portuguesa, senão há novidade maior naquilo que vos digo, há a obrigação superior de dizê-lo, como forma de reconhecimento e gratidão por essa herança. Foi com ela que nós brasileiros, pudemos superar toda uma série de distâncias raciais e geográficas. Com ela fomos descobertos e com ela continuamos a nos descobrir, em permanente processo de auto conhecimento”.

“Onde houve mundo ela chegou, como está dito em palavras eternas pelo nosso maior poeta”, continuou Roberto Marinho. E prosseguiu: “pois, nos nossos tempos atuais, não podemos deixar de reconhecer que o ciclo dos descobrimentos está encerrado, com grandes esperanças e melhores dias de apoio no mundo. Falo do nosso mundo cultural que nos incita a explorá-lo e prepará-lo para as gerações futuras. Refiro-me, especialmente, a um mercado lingüístico de mais de 200 milhões de pessoas. Se tivermos o altruísmo e a sabedoria de encontrarmos para além das divergências acadêmicas, as muitas convergências culturais que nos devem unir conseguiremos robustecer e afirmar internacionalmente o mundo do saber e do falar português”.

Pedindo desculpa de tão longa citação, justifico-a, contudo, pela singular autoridade de quem a proferiu. Tanto mais que Roberto Marinho terminaria com palavras com que me permito encerrar minha fala de hoje: “Esta é a tarefa que nos incumbe. Esta é a missão que nos cabe. Não podemos recebê-la com temor porque temos de aceita-la com orgulho”.

António Loulé.
Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2006.


Palestra proferida na Academia Luso Brasileira de letras por ocasião do dia internacional Elos Clube da Comunidade Lusíada