O Livro de Presença da primeira reunião da Academia Luso-Brasileira
de Letras, realizada em 3 de setembro de 1965, registra o nome
dos acadêmicos Prado Maia, Pa-lo Tacle, Inácio José Veríssimo,
A. M. Braz da Silva, Júlio Moura, Mário Ferreira França, Silvestre
Travassos Soares, Otacílio Rainho, A. J. Pizarro Loureiro, Aben-Athar
Neto e Bianor Penalber como seus fundadores. Presidiu os trabalhos
o Alte. A. M. Braz da Silva e serviram como secretários os escritores
Bianor Penalber e Otacílio Rainho. A Ordem do Dia era a discussão
e aprovação dos Estatutos redigidos por uma comissão composta
pelos acadêmicos Paulo Martins, Emanuel Sodré, Oliveira e Silva
e Bianor Penalber; na ocasião houve discussão em torno da admissão
de mulheres no Quadro Acadêmico, tendo-se manifestado contrariamente
os acadêmicos Mário França, Pizarro Loureiro e Bianor Penalber.
A
solenidade de instalação teve lugar no Palácio Pedro Ernesto,
sede da Assembléia Legislativa do Estado, no dia 29 de setembro.
O primeiro Presidente foi o Almirante A. M. Braz da Silva, realizando-se
no período de sua administração memoráveis sessões em homenagem
a José Veríssimo (no cinqüentenário de sua morte), Ferreira de
Castro (cinqüentenário çja sua produção literária), Machado de
Assis, Rui Barbosa, ViGente de Carvalho (no centenário do seu
nascimento), Antônio Nobre (centenário de nascimento), Coelho
Neto, Olavo Bilac e Gago Coutinho (centenário de nascimento).
Ocuparam a presidência, a seguir, os acadêmicos Oliveira e Silva,
eleito em 9 de junho de 1970, e Danilo Nunes, eleito em 27 de
março de 1972, que renunciou ao cargo e foi substituído a partir
de 16 de Julho do mesmo ano pelo General Jonas Correia;
interinamente, exerceram a função os acadêmicos Sylvio
Elia e Adalberto José Pizarro Loureiro, este aclamado Presidente
em 24 de abril de 1975.
O Quadro Acadêmico, que inicialmente contou com 30 componentes,
foi aumentado para 40 (reunião de 23 de outubro de 1968), registrando-se
a participação, além dos nomes anterionnente citados, de ilustres
personalidades de nossa vida literária, como Emanuel Sodré, Pauto
Brás da Silva, Lúcio Marques de Souza, Martins Capistrano, M.
Paulo Filho, Antônio Mendes Monteiro, Divaldo Freitas, Eurípedes
Cardoso de Menezes, Alves Pinheiro, Levy Neves, Olavo Dantas,
Lúcio Marques de Souza, Ovídio da Cunha, Sebastião Furtado, Hamilton
Elia, Povina Cavalcante, Dirce Cortes Real, Vítor Cortes, Joaquim
Inojosa, Paulo Pinto da Rocha, Tito Lívio Ferreira, IvoIino de
Vasconcelos, Artur César Ferreira Reis, Guilherme Guilhobel, Renato
de Almeida Guilhobel, Cleonice Berardinelli, Artur Dalmasso, Luís
Ivani de Amorim Araújo
e Orlando da Fonseca Pires, que foi o último acadêmico empossado
(6 de março de 1975), na primeira fase da entidade.
Foram concedidos títulos de benemerência aos senhores Aventino
da Silva Lago, que ofereceu os recursos para premiar vencedores
de concurso de ensaio sobre a obra de Luiz de Camões, e
Evaristo Alves, diretor do Liceu Literário Português, onde
se realizavam normalmente as reuniões da Academia e que teve o
centenário de sua fundação comemorado em reunião solene
no dia 12 de novembro de 1968.
As atividades acadêmicas, por motivos independentes da vontade
dos integrantes da instituição, mantiveram-se paralisadas
durante cerca de quinze anos, até que em 13 de agosto de
1990, por iniciativa de um grupo de membros remanescentes, juntamente
com escritores, e personalidades interessados em participar da
vida da Academia, foi realizada uma pririmeira sessão preparatória
para o fim especial de discutir e decidir a reorganização da entidade
e a retomada de suas atividades. Encontravam-se presentes: Jonas
Correia (que presidiu os trabalhos), Ovídio Cunha; Luís Ivani
de Amorim Araújo, A. M. Braz da Silva, Olavo Dantas (já integrantes
do Quadro Acadêmico), Francisco Silva Nobre, Kepler Alves Borges,
Francisco Agenor Ribeiro da Silva, Geraldo Halfeld, Adolpho Polillo,
Mário dos Santos, Marta Celeste de Matos Nolding, Luciana Barbosa
Nobre, Marita Vinelli Baptista de Sã Fortes Pinheiro, Maria Ângela
Valle da Cunha, Cléa Gervason Halfeld e Rosa Alonso Simon Garcia,
postulantes ao ingresso no sodalício.
Na oportunidade foram eleitos Presidente e Secretário-GeraI, respectivamente
os acadêmicos Luís Ivani de Amorim Araújo e Francisco Silva Nobre,
cujos nomes foram ratificados numa segunda reunião, levada a efeito
em 28 de agosto, quando a Diretoria foi completada com a eleição
de Kepler Alves Borges (1º Vice-Presidente), Ovídio Gouveia
da Cunha (2º Vice-Presidente), Marta Nolding (Secretário-Adjunto)
, Nélio Ewaldo Nolding (Tesoureiro-Geral), Luciana Barbosa Nobre
(Tesoureiro-Adjunto), José Bonifácio da Silva Câmara (Diretor
de Biblioteca), Francisco Agenor Ribeiro da Silva (Diretor Cultural)
e Geraldo Halfeld (Diretor de Divulgação). Foi aprovado
o texto, revisto e atualizado, do Estatuto Acadêmico e adotaram-se
providências de ordem administrativa, inclusive quanto ao novo
Quadro de Patronos e Titulares, constituído em definitivo na sessão
solene de reinstalação da Academia, em 1º de outubro do mesmo
ano de 1990, no salão nobre do Liceu Literário Português.
A Academia filiou-se à Federação das Academias de Letras do Brasil,
sendo indicados Delegados junto à mesma os acadêmicos Kepler Alves
Borges, Sylvia da Costa Alves Borges e Maria Yvette Sampaio de
Araújo, e também passou a ali realizar as suas reuniões, o que
ocorre até agora.
Por motivo de renúncia do acadêmico Luís Ivani de Amorim Aráujo,
efetivada em 19 de setembro de 1991, assumiu a presidência o 1º.
Vice-Presidente Kepler Alves Borges, que terminou o triênio e
foi eleito em 23 de setembro de 1993 para o novo mandato, juntamente
com os componentes da atual Diretoria, que são os seguintes: Luís
Ivani de Amorim Araújo (1º Vice-Presidente). Marta Nolding
(2º Vice-Presidente). Francisco Silva Nobre (Secretário-Geral)
, Joaquim Simões de Faria (Secretário- Adjunto). Nélio
Nolding (Tesoureiro-Geral). Messody Ramiro Benoliel (Tesoureiro-Adjunto)
, José Bonifácio Câmara (Diretor de Biblioteca),. Agenor Ribeiro
(Diretor Cultural) e Sylvia da Costa Alves Borges (Diretora de
Divulgação). Compõem o. Conselho Fiscal: Italo Saldanha da Gama,
Marcos Ribeiro Correia, Thereza Renha (efetivos), Luciana Barbosa
Nobre, Marita Sá Fortes Pinheiro e Thadeu Macedo (suplentes).
Faleceram na atual fase os saudosos acadêmicos A. J. Pizarro Loureiro,
Achilles Leão de Jesus, Alda Pereira Pinto, Álvaro Dias e Roberto
José Colaço Roliz. O acadêmico Dagmar Chaves pediu transferência
para o Quadro Especial, para o qual também foi levado o confrade
Albene Fagundes de Araújo, que transferiu residência do Rio de
Janeiro em caráter definitivo. As vagas decorrentes foram preenchidas
pelos seguintes nomes: Gabriel Augusto de Melo Bittencourt, Antônio
Basílio Gomes Rodrigues. Thereza Maria Bittencourt Renha, Carlos
Fernandes Anastácio, que já tomaram posse, Arnaldo Machado e Antônio
Fernando de Souza Teófilo, cujas datas de posse já estão marcadas,
completando-se, dessarte, o Quadro de membros efetivos.
Já foi aprovada a conveniência de eqüitativo preenchimento do
Quadro Acadêmico entre escritores brasileiros e escritores nascidos
em Portugal. estando sendo adotadas providências para oportuna
modificação do Estatuto Acadêmico nesse sentido, o que tornará
mais fortes os vínculos da luso-brasilidade.
Em 21 de julho de 1992, concretizando determinação estatutária,
foi aprovado o Regime Interno, que vai publicado na edição n°
2 da revista da Academia, cujo pnmeiro número foi lançado em 17
de dezembro de 1991, repercutindo da melhor maneira nos meios
culturais luso-brasileiros.
Temos mantido permanente intercâmbio com a Federação das Associações
Portuguesas e Luso-Brasileiras, a que nos encontramos fillados,
e instituições de caráter português sediadas no Rio de Janeiro.
Os jornais O Mundo Português, Portugal em Foco e Voz de Portugal
e a revista "Roteiro" publicam regularmente notícias
a respeito das nossas atividades, que já se projetam, Igualmente,
no exterior, tendo sido a Academia citada em certames como o Simposi
Internacional de Filosofia de l'Edat Mitjana, em Barcelona; na
Universidade Paul Valéry, de Paris, em conferência do escritor
Adrieu Roig so-bre A Linguagem Poética de Paulicéia Desvairada:
no Encontro de Línguas Galaico-Portuguesa realizado em La Coruña
e Santiago de Compostela (Espanha) e no Grupo de Estudos Brasileiros
do Porto, de onde o escritor Antônio Gomes Beato nos fez remessa
de dois livros de sua autoria.
Foi conferido o título de membro Correspondente às seguintes personalidades
da vida portuguesa: pesquisadora Maria Emília Baptista Torreão
Mourato, escritora Dalila Lello Pereira da Costa, professor Joaquim
de Barros Domingues e administrador Antônio Braz Teixeira. De
outra parte, foram concedidos títulos de membros Honorários ao
advogado Abel Botelho de Lacerda, ao General Ramiro Marcelino
Mourato, ao Presidente do Centro Cultural Luso-Brasileiro do Porto
Antônio Gomes Beato, ao escritor Afonso Botelho, ao pesquisador
Josué Pinharanda Gomes, ao administrador José Blanco e à jornalista
e pintora Antônia de Souza. No Brasil o título de membro Honorário
já foi entregue aos diretores das pu- blicações luso-brasileiras
do Rio de Janeiro, jomalistas Jarbas Maranhão (Voz de Portugal),
Antônio Gomes da Costa (O Mundo Português), Benvinda Maria (Portugal
em Foco), Manuel José Roberto Félix (Brasil-Portugal), Yara Barros
(Correio Luso-Brasileiro) e Armando Campos (revista Roteiro).
O título de Benemérito foi concedido em 18 de agosto de 1992 ao
ex-Presidente Luís Ivani de Amorim Araújo e na reunião de 16 de
agosto de 1994, comemorando a passagem dos trinta anos de fundação
da Academia, e tendo em vista os valiosos serviços que prestaram
quando Presidentes e a decisiva colaboração para a conquista dos
reais objetivos sociais, foi resolvido estendê-lo aos demais ex-Presidentes:
Brás da Silva, Danilo Nunes, Jonas Correia, Oliveira e Silva e
Adalberto José Pizarro Loureiro; os dois últimos post-mortem
serão entregues a seus familiares.
A Academia já foi agraciada com a Medalha da Real e Benemérita
Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros Dom Pedro V e a dos 125
anos de fundação do Liceu Literário Português, o que bem comprova
o conceito em que a nossa entidade é tida entre as organizações
luso-brasileiras.
Por certo, haveria ainda muito o que dizer da atuação de nossa
Academia nesta sua segunda fase, mas, para não nos alongarmos
demasiadamente, cingimo-nos a relacionar as principais palestras
realizadas em nossas reuniões; a simples citação dos temas dá
bem a importância e a elevada significação da programação
- podemos dizer, erudita - que vimos cumprindo.
18/10/1990 -"Influências da Cultura Céltica
na Luso-Brasilidade", Marta Nolding
16/04/1991 -"Centenário de Raul Machado", F.
Silva Nobre
21/05/1991 -"Vida e Obra de Camilo Castelo Branco",
F. Silva Nobre
18/06/1991 -" Josá de Anchieta", Dagmar Aderaldo
Chaves
20/08/1991 -"Pizzarro Loureiro", Joaquim Simõe
de Faria
17/09/1991 -"Vida e Obra do Padre José Mauricio", Ítalo
Saldanha da Gama
19/10/1991 -"Influência da Literatura Angolana nas
Letras Portuguesas", Helena Theodoro Lopes
17/12/1991 -"Padre Serafim Leite", Marcos Ribeiro Correia
17/03/1992 -"Eça de Queiroz e o Brasil", Antônio Gomes
da Costa
19/05/1992 -"Júlio Dantas", Clara Sylvia B. Antunes
Dantas
21/07/1992 -"Farias Brito, o Filósofo do Brasil",
Luís Ivani de Amorim Araújo
18/08/1992 - Capistrano de Abreu", Joaquim Simões
de Faria
15/09/1992 -"Antônio Corrêa de Oliveira", Messody
Ramiro Benoliel
21/10/1992 -"Cristóvão Colombo - O Homem e o Mito",
Prof. Vicente Tapajós
17/11/1992 -"José de Alencar e a Fundação da
Literatura Brasileira", Agenor Ribeiro
15/12/1992 -"Datas Comemorativas da Literatura Luso- Brasileira
em 1993", F. Silva Nobre
16/03/1993 -"Visconde de Taunay", Marcos Ribeiro Corrêa
20/04/1993 -"Gregório de Matos", Marta Nolding
18/05/1993 -"Martins Pena", Nélio Nolding
15/06/1993 -"O Tratado de Tordesilhas e o Portugal",
Luis Ivani de Amorim Araújo
21/07/1993 -"Castro AIves, sua Vida e seus Amores",
Luciana Barbosa Nobre
19/04/1994 -" A Escola de Sagres e o Descobrimento da América",
Ovidio da Cunha
17/05/1994 -"Coelho Neto", Ângeta Cunha
21/06/1994 -"Almeida Garrett", Sylvio Elia
19/07/1994 -"Dom Henrique, o Navegador", Marcos Ribeiro
Corrêa
16/08/1994 -"O Quinto Centenário do Tratado
de Tordesilhas", Ovídio da Cunha.
É crescente o interesse da maioria dos confrades pelo seu próprio
aprimoramento, o que assegura à Academia a possibilidade de apresentar
constantemente estudos da melhor qualidade e boa profundidade
e de elevar-se cada vez mais no conceito das entidades co-irmãs,
encontrando-se a Diretoria firmemente empenhada em que Sejam plenamente
atingidos os objetivos sociais e possamos trabalhar no sentido
do progresso da luso-brasilidade e a aproximação de duas
grandes raças.